A viúva do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, Júlia Emília Mello Lotufo, de 28 anos, é considerada peça-chave para esclarecer como o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ficou foragido por um ano, mantendo uma vida de luxo.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, publicada hoje (16), ela é suspeita de levar para o marido o dinheiro da contravenção e da milícia de Rio das Pedras, que o manteve longe do radar da Polícia Civil.
Ao monitorar Júlia, os investigadores chegaram à cidade de Esplanada, na Bahia, onde o ex-capitão foi morto por policiais militares. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirma que ele morreu em confronto com a equipe policial, mas o advogado do miliciano diz que ele relatou que temia ser alvo de "queima de arquivo".
Júlia trabalhou na Alerj na mesma época em que a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher dele, Danielle Mendonça, foram assessoras parlamentares no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.
Em 31 de agosto de 2016, o presidente da Casa à época, Jorge Picciani, nomeou Júlia para exercer o cargo em comissão de assistente VII, na Subdiretoria-Geral de Recursos Humanos.
Ela ganhava R$ 3,5 mil até 10 de julho de 2017, quando foi exonerada. Raimunda e Danielle só saíram do Legislativo em novembro de 2018, pouco antes da deflagração da Operação Intocáveis, que combateu a milícia de Rio das Pedras, em janeiro do ano passado. Um dos principais investigados, Adriano começou a fugir na ocasião.
A defesa do ex-deputado Jorge Picciani disse que não conhecia Júlia e disse que todos os atos de nomeação são assinados pelo presidente em conjunto com o primeiro secretário.
A primeira passagem da mulher de Adriano pelo serviço público ocorreu antes, quando ela tinha 21 anos. Em agosto de 2012, foi nomeada por Régis Fichtner, então chefe da Casa Civil do governo Sérgio Cabral, para exercer o cargo em comissão de assistente no Depósito Público do Estado do Rio. Ela ficou no cargo por quase sete meses. Procurado, Fichtner não foi localizado.
Durante um mês e meio, Júlia ainda acumulou duas matrículas, ainda de acordo com a reportagem do jornal O Globo. Em resolução de janeiro de 2013, ela foi nomeada pelo então chefe da Casa Civil da prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho Teixeira, para o cargo em comissão de assessor I. Ela deixou o posto em dezembro do mesmo ano. Pedro Paulo não quis comentar o caso.