Michelle Bachelet alerta que a ação das autoridades pode frustrar o diálogo. Governo interino assina decreto em que isenta as Forças Armadas e policiais de responsabilidades criminais durante o controle dos protestos

A grave crise política que a Bolívia atravessa desde as eleições de 20 de outubro despertou grande preocupação no Escritório da Alta Comissária para os Diretos Humanos da ONU pelas “ações repressivas” das forças de segurança. Os protestos que convulsionam o país já deixaram 23 mortos, de acordo com o último balanço da Comissão Interamericano de Direitos Humanos (CIDH). Foram registrados distúrbios e atos de vandalismo, mas também ocorreram vários episódios de repressão.

“Enquanto as primeiras mortes ocorreram como resultado de confrontos violentos entre manifestantes rivais, as mais recentes parecem ser fruto de uso desnecessário e desproporcional da força por parte de policiais e militares”, manifestou no sábado através de um comunicado a alta comissária, Michelle Bachelet. Por outro lado, a preocupação da ONU não impediu com que o Governo interino boliviano baixasse um decreto, na sexta-feira, autorizando a ação das Forças Armadas no controle da ordem do país, ao mesmo tempo em que exime militares e autoridades policiais de responsabilidades criminais. A ordem foi autorizada no mesmo dia em que nove pessoas morreram durante um protesto contra a renúncia de Evo Morales.